Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva - UFMA

Histórico


A Universidade Federal do Maranhão (UFMA), com sede na capital do Estado, São Luís, constituída nos termos da lei nº 5 de 21 de outubro de 1966, é uma instituição oficial de ensino superior sob a forma de Fundação. A área da Saúde é representada pelo Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, onde estão inseridos os departamentos de Saúde Pública, Enfermagem, Medicina I (Clínica Médica) e III (Materno-Infantil), Patologia e Odontologia II.

Algumas iniciativas, citadas a seguir, foram determinantes para o desenvolvimento de experiências em pós-graduação para um conjunto de professores, assim como permitiu a formação e qualificação desse grupo, de modo a formar um corpo docente com titulação suficiente para criar um curso local.

Ao longo dos últimos dez anos, a pós-graduação em Saúde Coletiva da UFMA, percorreu a trajetória de oferta de cursos de especialização latu sensu, em parceria com diversas instituições acadêmicas ou de gestão deste estado e de outros da federação, tais como a Escola Nacional de Saúde Pública, Faculdade de Saúde Pública da USP, Ministério da Saúde, Secretaria de Estado da Saúde do Maranhão e do Município de São Luís.

Posteriormente, organizou-se como área de concentração, ministrando disciplinas ou orientando alunos em outros mestrados nas áreas social e da saúde tais como o Programa de Políticas Públicas(Mestrado e Doutorado), Mestrados em Saúde e Ambiente, Ciências da Saúde e Materno-Infantil, todos na UFMA, ainda em decorrência de pequeno número de professores com titulação suficiente para a formação de um grupo específico. Em 1996 foi criado o Núcleo de Pesquisa em Saúde Coletiva, cadastrado no Diretório dos Grupos de Pesquisa do CNPq, envolvendo esses pesquisadores e outros provenientes de vários departamentos da UFMA e do Hospital Universitário. Esse núcleo desenvolveu vários projetos depesquisa, dois dos quais originaram livros publicados em cooperação com a UNICEF, FAPEMA e SES: Saúde, nutrição e mortalidade infantil no Maranhão e Avaliação de qualidade de maternidades: assistência à mulher e seu recém-nascido no SUS. Essas publicações foram importantes para o conhecimento da realidade de saúde do Maranhão e exemplificam experiências exitosas de utilização do conhecimento acadêmico para planejamento e gestão de serviços pelos gestores da área da saúde. Mais recentemente, outra publicação em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, denominada Tendências da Mortalidade Infantil em São Luis, demonstra a constante inserção do Núcleo de Pesquisas em Saúde Coletiva na realidade de saúde local.

Alguns projetos de pesquisa iniciados nessa época ainda continuam subsidiando a formação de novos pesquisadores. De março de 1997 a fevereiro de 1998 o Núcleo de Pesquisas em Saúde Coletiva, utilizando instrumentos similares aos utilizados no estudo realizado pela Faculdade de Medicina /de Ribeirão Preto/ USP em 1994, iniciou uma coorte de nascimentos a partir de amostra de 2542 recém-nascidos em 10 maternidades de São Luis. Em 2005/06 foi realizada a segunda fase dessa coorte, quando as crianças então com 7 a 9 anos foram seguidas com o intuito de se avaliar o impacto do tamanho ao nascer na morbidade e nos desenvolvimentos físico, afetivo e psicológico dos escolares. Deste estudo resultou até o momento a publicação de mais de trinta artigos científicos, inclusive um número especial da revista Brazilian Journal of Medical and Biological Research. A preparação deste suplemento, apresentado pelo Prof. David Batty da Universidade de Glasgow, envolveu dois anos de trabalho do grupo, e contém 13 artigos comparando dados das coortes e analisando as influências dos fatores perinatais no crescimento e na morbidade de escolares e adultos entre duas populações distintas em relação às condições culturais, econômicas e sociodemográficas.

O processo de aumento da produção científica do grupo ao exigir uma maior qualificação dos pesquisadores envolvidos. Isso os motivou a se inserir nos mestrados locais (Saúde e Ambiente, Ciências da Saúde, Saúde Materno-Infantil e Políticas Públicas) e no Doutorado em Políticas Públicas), e, posteriormente, em doutorados em outros estados. A realização de doutorados fora do estado gerou projetos de pesquisa em cooperação com outras instituições. Como exemplo citamos: Comparação de dois estudos de coorte populacional sobre saúde perinatal, em colaboração com o Departamento de Pediatria e Puericultura da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto/USP; Avaliação da Adesão ao tratamento com anti-retrovirais e da qualidade da assistência a pessoas vivendo com HIV e aids no Brasil, em colaboração com o Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP/SP; Avaliação dos resultados do cuidado neonatal sob a perspectiva da atenção humanizada ao recém-nascido de baixo peso - Método Canguru, em cooperação com o Instituto Fernandes Figueira/FIOCRUZ - RJ; e Aspectos do vetor, do hospedeiro e da relação vetor-parasita-hospedeiro na progressão da infecção para doença na leishmaniose visceral humana, em cooperação com o Centro de Pesquisas Gonçalo Moniz/FIOCRUZ BA.

Estes intercâmbios promoveram aumento da produção científica do grupo, o que favorece a criação de um programa de pós-graduação strictu sensu em Saúde Coletiva. Surge, assim, a proposta do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, nível Mestrado e Doutorado. A partir de março de 2007 passa a funcionar o Mestrado em Saúde Coletiva recomendado pela CAPES com conceito 4. O doutorado não foi recomendado nessa época principalmente pela pouca experiência dos professores em orientação de alunos de mestrado. Nestes dois últimos anos vários docentes do programa completaram a orientação de pelo menos dois alunos de Mestrado em outros programas, haja vista que o Mestrado em Saúde Coletiva se iniciou em março de 2007 e não houve tempo hábil para as primeiras defesas acontecerem. Esta experiência de orientação em outros programas os capacita a orientar em programa de Doutoramento.

Na seleção para a primeira turma do mestrado em saúde coletiva (2007/2009) concorreram 36 alunos, dos quais foram selecionados 13. As aulas da primeira turma foram iniciadas em março de 2007. A seleção para a segunda turma (2008/2010) ocorreu em novembro de 2007. Participaram 44 candidatos, sendo selecionados 15. As aulas dessa segunda turma foram iniciadas em março de 2008. Ao atuar numa área não contemplada na cidade ou em estados vizinhos, o programa já conta com alunos que são docentes de Universidades de outros estados da região.

Ao longo do seu funcionamento, o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, nível Mestrado vem se consolidando. Formado por professores que já atuavam em outros programas de Mestrado na UFMA, manteve a quantidade e a qualidade de suas publicações como especificado neste projeto, sendo destaque a publicação de número temático no Brazilian Journal of Medical and Biological Resarch, conforme citado acima. A incorporação de novos doutores, aumentando o quadro de professores disponíveis para a pós-graduação, priorização da produção cientifica, intercâmbios, cooperação e a existência de vários projetos de pesquisa com financiamento por meio de editais nacionais e locais têm sido a constante ao longo desses últimos dois anos, conforme demonstrado ao longo deste projeto.

Investimentos em infra-estrutura também foram priorizados. Alguns problemas de infra-estrutura foram resolvidos em 2007. Foi concluída a troca dos computadores do Laboratório de Informática (hoje temos 10 computadores novos com acesso à internet) e recebemos mais de 200 novos livros para a biblioteca do curso. Ainda em relação à infra-estrutura houve ampliação do número de salas de aula, de sala para professores, alunos e aquelas destinadas às pesquisas em andamento, climatizadas e equipadas com computadores e mobiliário adequado.  As obras do novo prédio da Pós-Graduação em Saúde Coletiva estão em andamento, com previsão de inauguração para o início de 2009.

Atualmente o programa tem em desenvolvimento 29 projetos de pesquisa, sendo que em 26 projetos os recursos foram captados de várias fontes financiadoras, totalizando R$ 1.716.360,11 (um milhão, setecentos e dezesseis mil, trezentos e sessenta reais). Dentre esses projetos se destaca “Novos fatores etiológicos da prematuridade: uma abordagem integrada”, financiado pelo PROGRAMA DE APOIO A NÚCLEOS DE EXCELÊNCIA, PRONEX, CNPq, FAPEMA que será desenvolvido de 2008 a 2010, no valor de R$ 269.840,00.

Os principais financiadores do Mestrado em Saúde Coletiva são FAPEMA, CNPq, Ministério da Saúde via PPSUS e FAPESP. O programa envolveu um total de 43 alunos de graduação, a maioria bolsistas de iniciação científica envolvidos nos seus projetos, de forma que 8 dos 20 artigos completos publicados em periódicos indexados em 2007 tiveram a participação de discentes (1 de Mestrado e 7 de iniciação científica).

O programa tem critérios rigorosos para credenciamento e recredenciamento trienal de docentes. Embora este critério tenha como conseqüência uma aparente limitação do ingresso de novos pesquisadores, em um contexto de carência regional de docentes qualificados, o programa tem captado professores que têm em comum a produção e a orientação de alunos da área da Saúde Coletiva (ver perfil docente). Atualmente, exige-se a publicação no triênio de no mínimo três artigos em revistas Qualis A nacional ou superior, sendo uma no mínimo em periódico internacional C ou superior.

Em sua interface com a graduação, este programa desenvolve atividades com alunos de cursos de graduação da área da saúde que têm por objetivo a formação de pessoal de acordo com as necessidades do SUS. Citamos como exemplo o Projeto Vivências e Estágios na Realidade do SUS  – VERSUS Extensão, onde alunos de seis diferentes cursos realizam estágio de três meses em grupos multidisciplinares em comunidades cobertas pela Estratégia Saúde da Família. Nessa mesma linha se insere o Projeto Bandeira Científica uma parceria USP, UFMA, UEMA (Universidade Estadual do Maranhão) e CEST (Centro de Estudos Santa Terezinha). Também tem inserção na Residência de Medicina de Família e Comunidade em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de São Luis, turma 2008-2010, responsabilizando-se pelos conteúdos teóricos desse programa de pós-graduação na modalidade treinamento em serviço. Na área da pesquisa, está elaborando publicação conjunta com a Secretaria de Estado da Saúde e a FSADU (Fundação Sousândrade para o desenvolvimento da UFMA) com os principais resultados da Pesquisa Atenção à Saúde no Estado do Maranhão. Coordena ainda o internato rural do Curso de Medicina da UFMA. Professores de Odontologia Social desenvolvem no Núcleo de Extensão da Vila Embratel o projeto Saúde Bucal. A faixa etária atendida no projeto é de 0 a 3 anos. O projeto Saúde Bucal é desenvolvido junto com as Pediatras caracterizando uma proposta multidisciplinar. As crianças são examinadas pelas pediatras e depois pelas odontólogas e após avaliação de cárie e doença periodontal, recebem Orientação de Higiene Bucal, além de Kits odontológicos com escova e creme dental. Três professores do programa participam da Rede Norte-Nordeste de Saúde Perinatal. A rede tem como objetivo geral promover a melhoria do desempenho das Unidades Neonatais de Médio e Alto Risco e reduzir a morbi-mortalidade evitável na região Norte-Nordeste do país. Para isso propõe eixos de atuação como intervenções nos âmbitos gerencial, educativo e epidemiológico além do desenvolvimento de pesquisas operacionais como subsídio para decisões, monitoramento e avaliação das unidades e a criação de um sistema de informações com os principais indicadores perinatais. Estas atividades demonstram a inserção social do grupo e seu envolvimento com atividades de extensão.

A articulação de parcerias políticas para a elaboração de propostas de implantação de sistema de saúde regionalizado, coerente com as necessidades identificadas da população local, pressupõe a existência de recursos humanos com habilidades para desenvolver estratégias criativas de superação das restrições que ocorrem no âmbito municipal. A criação de um programa de formação e qualificação de pessoal para o ensino, pesquisa e atuação em serviços de saúde e gestão do Sistema Único de Saúde certamente oferece locus privilegiado para o exercício da análise crítica da realidade e as conseqüentes mudanças necessárias para o desenvolvimento e a sustentabilidade do SUS. Nesse sentido o Grupo de Pesquisas em Saúde Coletiva e, posteriormente, a Pós-Graduação em Saúde Coletiva desenvolveu experiência em parceria com o Núcleo de Monitoramento e Avaliação (M&A) da Atenção Básica da Secretaria de Estado da Saúde ao longo dos últimos quatro anos (2005/2008) no desenvolvimento de um plano de M&A para o Estado. Esta experiência abrangeu também a realização de pesquisas com dados secundários e primários, assessoria técnica para os níveis central e regional e curso de atualização em M&A para os profissionais da rede e do nível central de gestão do SUS. Atualmente o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva é Centro Colaborador da Atenção Básica no Estado do Maranhão.

Tendo em vista a quantidade e a qualidade da produção do programa e a demanda reprimida por formação pós-graduada em nível de Doutorado na região Norte e parte da região Nordeste, o Doutorado em Saúde Coletiva foi recentemente recomendado pela Capes, com conceito 4. Este novo programa se iniciará em março de 2009, para cumprir meta de capacitação de pesquisadores no âmbito regional.

 


 

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